Rocha Pensante
Pensamentos convertidos em pixels.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Perdidos no Ciberespaço
Fico pesando em quanta coisa iteressante se perde nesse vasto mundo de ninguêm que é a internet. Quantas pessoas partilham seu eu com o desconhecido, e que loucura é essa de colocar em praça pública sua intimidade em frases, imagens, sons, mostrando-se pra todo mundo (e para ninguém).
Ansiedade.
Sede de mostrar a vida que não se vive. A vida que gostaríamos de viver. Sede de ver a vida dos outros pra comparar com a nossa e ver se somos parecidos. Se formos, temos um problema.
São quase sete bilhões de pessoas. Sete bilhões de "mundos". Muitos deles estão acessíveis pelo ciberespaço... e eu no meio.
Quem está me vendo? Quem está me lendo?
Será que não estamos todos meio perdidos?
Será que não estamos todos querendo nos encontrar?
Será que estamos todos querendo fugir?
Fugir de nós mesmos.
Acho que estamos mesmo todos perdidos. Até este texto está perdido. As palavras que se soltaram de minha mente guiaram este texto pro meio de um bosque escuro, e agora ele não sabe mais voltar.
Por que escrevi isso tudo?
Não sei.
Por que você esta lendo?
(...)
Estamos perdidos!
terça-feira, 7 de junho de 2011
POR QUE O FORRÓ NÃO TOCA NO RÁDIO?
Festas Juninas!
Vivi minha adolescência no período em que surgiu a “Oxente Music”. Que é isso?
É um movimento musical vindo lá das bandas do Ceará (terra, aliás, de onde vieram grandes nomes do humor, da música e também terra do Padre Cícero, ícone de devoção popular) que mistura baladas românticas, lambada, brega... tudo menos forró. Alguns o chamam de “forró de plástico”. Eu me recuso a chamar este ritmo de forró. Quem conhece o forró sabe que é algo completamente diferente. Forró com guitarra, baixo e bateria é possível, claro. Luiz Gonzaga fez isso nos anos 1980. Basta ouvir qualquer disco dele da época...
Apesar disso, não tenho nada contra este ritmo que aqui chamo de Oxente Music na falta de um termo melhor. Aliás, este foi o primeiro nome que a imprensa (acho) deu ao movimento musical de Fortaleza na tentativa de associá-lo ao Axé Music, da Bahia, que estava no auge naqueles anos. Pode parecer que estou sendo rude em não chamar esta música de forró. Mas cadê a semelhança? Se alguém notou alguma, confesso que eu nunca notei... Posso parecer contrário ao referido ritmo cearense, mas não sou. Todos têm direito a ter seu espaço na mídia... mas há mesmo espaço para TODOS?
Dificilmente ouço uma rádio local (ou nacional mesmo) tocar forró. Resolvi escrever este texto porque hoje milagrosamente ouvi na Rede Correio Sat (faço questão de citar o nome, por ser um feito raro, mas digno de elogios). E ouço muitas, mais da metade em minha Parahyba tocando Oxente Music. E o ano inteiro, não é por causa das festas juninas não.
Ora, por que, entre as 14 ou 15 rádios FM da Capital, nenhuma toca forró?
“Ah, acho que ele quer dizer forró pé-de-serra”, alguém pode questionar. Querido leitor, no meu entendimento, todo o forró é “pé-de-serra”. Só existe um forró, uma combinação de ritmo e poesia matuta, ou letras que falam das coisas do nordeste, ou ainda da visão de mundo do nordestino. Mais uma vez Luiz Gonzaga é a melhor referência. Ele criou o forró como o conhecemos. Até o sotaque as gírias do matuto fazem parte do forró. Não letras de músicas românticas melosas acompanhadas de uma sanfona de 120 baixos que não são usados simplesmente porque o sanfoneiro não sabe tocá-los! Ou pior, letras pornográficas, que denigrem a imagem principalmente da mulher. Desculpem se exagerei na dose de moralismo, mas o falso forró exagera mais ainda na “sem-vergonhisse”.
Eu, mesmo tendo apenas 31 anos, prefiro a escola do “Mestre Lua”, que tem em Dominguinhos seu mais brilhante aluno; prefiro a beleza dos solos de Sivuca, a voz forte de Marinês, o duplo sentido inocente de Genival Lacerda, a harmonia do Trio Nordestino, o ritmo de Jackson do Pandeiro, a poesia matuta de Jessier Quirino, a força de Santana, Flávio José, Pinto do Acordeon, Antônio Barros e Cecéu, e tantos outros que “teimam” em perpetuar o forró!
E viva São João!!!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
O Famoso Ninguém
Um termo muito usado na mídia para fazer referência a alguém famoso é “celebridade”. O que seria isso? Pesquisei o termo em um dicionário e encontrei a seguinte definição:
ce.le.bri.da.de
sf (lat celebritate) 1 Qualidade do que é célebre. 2 Grande fama. 3 Pessoa célebre. 4 Coisa célebre. 5 Notoriedade.
Para melhor entender, pesquisei também o termo “célebre”:
cé.le.bre
adj m+f (lat celebre) 1 Que tem grande nomeada; famoso, notável. 2 Muito notório. 3 fam Esquisito, extravagante, singular. Antôn, acepções 1 e 2: desconhecido, obscuro.
(fonte: Dicionário Michaelis UOL (http://michaelis.uol.com.br)
Mas no contexto que é usado pela mídia brasileira, sobretudo nos Gossip Magazines e programas de TV, proponho uma outra definição do termo:
Celebridade
ce.le.bri.da.de
1. Pessoa de grande fama e vasta exposição midiática, cuja principal qualidade consiste em não ser ninguém.
Explico: Há pessoas que conquistam fama e fortuna como consequência de uma carreira sólida galgada em muito esforço e persistência, apesar de contar diversas portas fechadas e de ouvir sucessivos “nãos”. Poderíamos citar aqui muitos cantores, artistas plásticos, músicos, atores, esportistas... enfim, bastante gente. Há outros que conseguem fama por acidente. O caso mais recente que posso citar é o dos trabalhadores chilenos que ficaram meses presos após uma explosão em uma mina, e cujo resgate emocionou pessoas ao redor do mundo que acompanhavam todo o drama pela mídia (outro dia vi numa revista uma foto do grupo desfilando em carro aberto na Disney).
Mas em tempos de vídeos caseiros, câmeras de segurança e da geração YouTube, a TV nos brinda com o segmento dos reality shows, prato cheio para o telespectador voyeur, onde “famosos anônimos” são colocados em cativeiros virtuais, zoológicos humanos com direito a pay per view! Resultado: “celebridades” instantâneas para consumo rápido; mais “arroz de festa” para temperar a salada midiática, abastecer os fofoqueiros profissionais e encher revistas de “babados fortíssimos”...
Mas este tipo de fama é efêmero, passa voando! O que fazer depois? Muitos voltam a ser “pessoas normais”, bater cartão, lamentar o dinheiro do prêmio que já acabou etc. Ou, quando notam que estão “em baixa”, baixam um pouco mais o nível (que nível?) e fazem como diz a música: “vou ficar nu pra chamar sua atenção”! Bom para o segmento de revistas masculinas e, em casos mais extremos, filmes pornográficos.
Comumente, vemos crias destes reality’s (com apóstrofo, pra ficar mais chique) aparecerem em reportagens e programas de auditório com o rótulo de “modelo”. Existe uma categoria profissional de Modelos de alta costura, pessoas cuja silhueta é ideal para desfilar tendências da moda, lançamentos de grandes grifes mundiais. O Brasil exporta Modelos deste tipo, que se tornam celebridades no sentido mais correto da palavra. Neste caso o talento e dedicação contam muito. Mas não é destes Modelos que estou falando. Falo de modelos de... modelos de... modelos de quê?
Talvez de corpo perfeito... mas isso tem muito a ver com o gosto pessoal. Há quem diga que corpos anoréxicos são perfeitos. Outros preferem os fisiculturistas etc.
Então, modelos de conduta... ora, qualquer pessoa que cumpra as leis, que seja educada, que tenha certos valores é modelo de boa conduta!
Confesso que não consigo responder esta pergunta. Apenas quero deixar claro que estou questionando os rótulos que a mídia impõe (celebridade, modelo etc), e os mecanismos que ela cria para se auto-abastecer de atrações. Por isso não cito nomes. Não direciono críticas a ninguém. Só divido meus pensamentos com quem estiver disposto a pensar junto.
Concluo que a busca pela fama como objetivo em si mesmo é vazia. E que esta busca vazia continua enchendo a nossa mídia de “nada”, de “ninguém”. Muita gente não tem nada a dizer, mas tem espaço para encher de nada. Outros tem algo a dizer, mas não tem quem dê atenção. Então criam um blog...
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Pensar sobre pensar.
Neste blog pretendo... não pretendo nada! Só transformar. Transformar pensamentos (ou ideias?) em pixels e jogar na Rede.
Quanto à lógica? Ideias tem lógica; pensamentos, não.
Nem sempre haverá lógica no que escrevo. Qual a lógica da mente? Apenas vou escrever; vou botar pra fora. Não deixar sumir dentro de mim.
E quando não tenho respostas, escrevo as perguntas. Elas, sim podem mudar o mundo!