terça-feira, 7 de junho de 2011

POR QUE O FORRÓ NÃO TOCA NO RÁDIO?

Festas Juninas!

Vivi minha adolescência no período em que surgiu a “Oxente Music”. Que é isso?

É um movimento musical vindo lá das bandas do Ceará (terra, aliás, de onde vieram grandes nomes do humor, da música e também terra do Padre Cícero, ícone de devoção popular) que mistura baladas românticas, lambada, brega... tudo menos forró. Alguns o chamam de “forró de plástico”. Eu me recuso a chamar este ritmo de forró. Quem conhece o forró sabe que é algo completamente diferente. Forró com guitarra, baixo e bateria é possível, claro. Luiz Gonzaga fez isso nos anos 1980. Basta ouvir qualquer disco dele da época...

Apesar disso, não tenho nada contra este ritmo que aqui chamo de Oxente Music na falta de um termo melhor. Aliás, este foi o primeiro nome que a imprensa (acho) deu ao movimento musical de Fortaleza na tentativa de associá-lo ao Axé Music, da Bahia, que estava no auge naqueles anos. Pode parecer que estou sendo rude em não chamar esta música de forró. Mas cadê a semelhança? Se alguém notou alguma, confesso que eu nunca notei... Posso parecer contrário ao referido ritmo cearense, mas não sou. Todos têm direito a ter seu espaço na mídia... mas há mesmo espaço para TODOS?

Dificilmente ouço uma rádio local (ou nacional mesmo) tocar forró. Resolvi escrever este texto porque hoje milagrosamente ouvi na Rede Correio Sat (faço questão de citar o nome, por ser um feito raro, mas digno de elogios). E ouço muitas, mais da metade em minha Parahyba tocando Oxente Music. E o ano inteiro, não é por causa das festas juninas não.

Ora, por que, entre as 14 ou 15 rádios FM da Capital, nenhuma toca forró?

“Ah, acho que ele quer dizer forró pé-de-serra”, alguém pode questionar. Querido leitor, no meu entendimento, todo o forró é “pé-de-serra”. Só existe um forró, uma combinação de ritmo e poesia matuta, ou letras que falam das coisas do nordeste, ou ainda da visão de mundo do nordestino. Mais uma vez Luiz Gonzaga é a melhor referência. Ele criou o forró como o conhecemos. Até o sotaque as gírias do matuto fazem parte do forró. Não letras de músicas românticas melosas acompanhadas de uma sanfona de 120 baixos que não são usados simplesmente porque o sanfoneiro não sabe tocá-los! Ou pior, letras pornográficas, que denigrem a imagem principalmente da mulher. Desculpem se exagerei na dose de moralismo, mas o falso forró exagera mais ainda na “sem-vergonhisse”.

Eu, mesmo tendo apenas 31 anos, prefiro a escola do “Mestre Lua”, que tem em Dominguinhos seu mais brilhante aluno; prefiro a beleza dos solos de Sivuca, a voz forte de Marinês, o duplo sentido inocente de Genival Lacerda, a harmonia do Trio Nordestino, o ritmo de Jackson do Pandeiro, a poesia matuta de Jessier Quirino, a força de Santana, Flávio José, Pinto do Acordeon, Antônio Barros e Cecéu, e tantos outros que “teimam” em perpetuar o forró!

E viva São João!!!

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