Um termo muito usado na mídia para fazer referência a alguém famoso é “celebridade”. O que seria isso? Pesquisei o termo em um dicionário e encontrei a seguinte definição:
ce.le.bri.da.de
sf (lat celebritate) 1 Qualidade do que é célebre. 2 Grande fama. 3 Pessoa célebre. 4 Coisa célebre. 5 Notoriedade.
Para melhor entender, pesquisei também o termo “célebre”:
cé.le.bre
adj m+f (lat celebre) 1 Que tem grande nomeada; famoso, notável. 2 Muito notório. 3 fam Esquisito, extravagante, singular. Antôn, acepções 1 e 2: desconhecido, obscuro.
(fonte: Dicionário Michaelis UOL (http://michaelis.uol.com.br)
Mas no contexto que é usado pela mídia brasileira, sobretudo nos Gossip Magazines e programas de TV, proponho uma outra definição do termo:
Celebridade
ce.le.bri.da.de
1. Pessoa de grande fama e vasta exposição midiática, cuja principal qualidade consiste em não ser ninguém.
Explico: Há pessoas que conquistam fama e fortuna como consequência de uma carreira sólida galgada em muito esforço e persistência, apesar de contar diversas portas fechadas e de ouvir sucessivos “nãos”. Poderíamos citar aqui muitos cantores, artistas plásticos, músicos, atores, esportistas... enfim, bastante gente. Há outros que conseguem fama por acidente. O caso mais recente que posso citar é o dos trabalhadores chilenos que ficaram meses presos após uma explosão em uma mina, e cujo resgate emocionou pessoas ao redor do mundo que acompanhavam todo o drama pela mídia (outro dia vi numa revista uma foto do grupo desfilando em carro aberto na Disney).
Mas em tempos de vídeos caseiros, câmeras de segurança e da geração YouTube, a TV nos brinda com o segmento dos reality shows, prato cheio para o telespectador voyeur, onde “famosos anônimos” são colocados em cativeiros virtuais, zoológicos humanos com direito a pay per view! Resultado: “celebridades” instantâneas para consumo rápido; mais “arroz de festa” para temperar a salada midiática, abastecer os fofoqueiros profissionais e encher revistas de “babados fortíssimos”...
Mas este tipo de fama é efêmero, passa voando! O que fazer depois? Muitos voltam a ser “pessoas normais”, bater cartão, lamentar o dinheiro do prêmio que já acabou etc. Ou, quando notam que estão “em baixa”, baixam um pouco mais o nível (que nível?) e fazem como diz a música: “vou ficar nu pra chamar sua atenção”! Bom para o segmento de revistas masculinas e, em casos mais extremos, filmes pornográficos.
Comumente, vemos crias destes reality’s (com apóstrofo, pra ficar mais chique) aparecerem em reportagens e programas de auditório com o rótulo de “modelo”. Existe uma categoria profissional de Modelos de alta costura, pessoas cuja silhueta é ideal para desfilar tendências da moda, lançamentos de grandes grifes mundiais. O Brasil exporta Modelos deste tipo, que se tornam celebridades no sentido mais correto da palavra. Neste caso o talento e dedicação contam muito. Mas não é destes Modelos que estou falando. Falo de modelos de... modelos de... modelos de quê?
Talvez de corpo perfeito... mas isso tem muito a ver com o gosto pessoal. Há quem diga que corpos anoréxicos são perfeitos. Outros preferem os fisiculturistas etc.
Então, modelos de conduta... ora, qualquer pessoa que cumpra as leis, que seja educada, que tenha certos valores é modelo de boa conduta!
Confesso que não consigo responder esta pergunta. Apenas quero deixar claro que estou questionando os rótulos que a mídia impõe (celebridade, modelo etc), e os mecanismos que ela cria para se auto-abastecer de atrações. Por isso não cito nomes. Não direciono críticas a ninguém. Só divido meus pensamentos com quem estiver disposto a pensar junto.
Concluo que a busca pela fama como objetivo em si mesmo é vazia. E que esta busca vazia continua enchendo a nossa mídia de “nada”, de “ninguém”. Muita gente não tem nada a dizer, mas tem espaço para encher de nada. Outros tem algo a dizer, mas não tem quem dê atenção. Então criam um blog...
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